Trabalhadores da educação: prioridade na vacinação?

Foto de capa: Tânia Rêgo/Agência Brasil.

Em fevereiro desse ano, a MP das Vacinas (Medida Provisória 1003/2020) foi aprovada pelo Senado brasileiro e estava nas mãos do nosso presidente para sua sanção. Nesse momento podem acontecer vetos a alguns trechos da MP. Aqui na Gaia estávamos torcendo pela entrada dos profissionais da educação como grupo prioritário no PNI (Programa Nacional de Imunização), conforme a emenda da deputada federal Tábata Amaral apresentada no dia 15/12/20.

Semana passada, dia 1º de março, o presidente sancionou a MP, no entanto, com vetos. E um desses vetos foi para a emenda que trazia os profissionais da educação como prioritários.

Uma parte importante no texto é que a imunização deve seguir o que está determinado no… Faça uma pausa para respirar, porque o nome é longo: Plano Nacional de Operacionalização da Vacina contra a Covid-19. O plano, no presente momento, está na sua 4ª edição, publicada em 15 de fevereiro deste ano. Por isso, não fique surpreso caso haja alguma alteração enquanto estiver lendo este texto.

Como estão os trabalhadores da educação na prioridade de vacinação no Brasil?

Apesar do veto, desde janeiro de 2021, os trabalhadores da educação do ensino básico estão dentro dos grupos prioritários, alocados na posição 19 e com uma estimativa de 2.707.200 pessoas.

Excerto do Quadro 1. Estimativa populacional para a Campanha Nacional de Vacinação contra a covid-19 - 2021 e ordenamento dos grupos prioritários. Fonte: Plano Nacional de Operacionalização da Vacina contra a Covid-19. 4ª edição de 15/02/21. Acesso em 09/03/2021.

O problema é que, de acordo com o cronograma apresentado pelo Ministério da Saúde, os professores devem começar a ser vacinados somente em meados de maio. No Rio Grande do Sul, o governador Eduardo Leite se uniu com o Poder Legislativo para pedir ao ministro da Saúde a permissão para adiantar a vacinação para os trabalhadores da educação. A MP das Vacinas determina que todos os estados são obrigados a obeceder o Plano Nacional, respeitando o cronograma.

Por que os trabalhadores da educação devem ser prioridade?

E você pode estar se perguntando, “Mas Bruno, por que os profissionais da educação devem ser prioridade?”. Segundo a argumentação apresentada na emenda mecionada acima, a vacinação dos profissionais da educação “cria condições necessárias para um retorno célere às aulas em todos os estados do país”. 

Apesar do retorno às aulas já ter acontecido no mês passado, sabemos que todos os envolvidos na operação das escolas (professores, coordenadores, diretores, equipe da secretaria, equipe de limpeza, monitores, etc) estão em risco.

Vacina sendo aplicada no RJ. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Estamos no pior momento da pandemia, com mais de 260 mil mortos e com os sistemas de saúde de vários estados entrando em colapso. Uma pesquisa do Datafolha, encomendada pelo C6 Bank, realizou 1.670 entrevistas por telefone com estudantes ou responsáveis no final de 2020. Ela revelou que, na educação básica, 10,8% dos estudantes do ensino médio disseram ter abandonado os estudos, percentual que ficou em 4,6% no fundamental.

Para se ter uma ideia, em 2019, ano que apresenta os últimos dados oficiais disponíveis, o índice de abandono do ensino fundamental foi de 1,2% e no ensino médio de 4,8%. Índices que já são altos quando comparados globalmente.

Isso é muito grave. A educação é crucial para o futuro do nosso país e não podemos colocá-la em cheque. Sem a devida proteção, os profissionais da educação não conseguem cumprir seu papel da forma adequada.

A educação não pode parar

No momento em que estamos, a pressão por paralização das escolas tende a aumentar, e os motivos são mais do que válidos: a proteção de vidas. E é por isso que precisamos avançar com a vacinação e priorizar os trabalhadores da educação.

E você, acha que os trabalhadores da educação devem ser prioridade?

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